Sentar à máquina de escrever. Folhear

Um romance policial. No fim


Saber o que agora já sabes:

O secretário de cara lisa e barba dura

É o assassino do senador.

E o amor do jovem sargento da brigada criminal

Pela filha do almirante é correspondido.

Mas não saltarás de página.

De vez em quando, folheando uma, um olhar rápido

Sobre a folha em branco da máquina de escrever.

Isto ao menos vai-nos ser poupado. Melhor que nada.

No jornal estava escrito: algures, uma aldeia

Foi arrasada por um bombardeamento.

É lamentável, mas o que é que tens a ver com isso.

O sargento está a impedir o segundo assassinato

Apesar da filha do almirante lhe oferecer (pela primeira vez)

Os lábios, serviço é serviço.

Não sabes quantos morreram, o jornal desapareceu.

Ao lado, a tua mulher sonha com o seu primeiro amor.

Ontem tentou enforcar-se. Amanhã

Vai cortar os pulsos ou que sei eu ainda

Ao menos tem um objectivo em vista

Que atingirá de uma maneira ou de outra.

E o coração é um vasto cemitério.

A história de Fátima no Neuen Deutschland

Estava tão mal escrita que te fez rir.

A tortura é mais fácil de aprender que a descrição da tortura.

O assassino caiu na armadilha

O sargento aperta a recompensa nos seus braços.

Agora podes dormir. Amanhã será um novo dia.

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